Render do autor feita em 2014, pós-produzida na véspera da publicação.

Se tem uma coisa da qual não posso me queixar, é da minha infância.

O meu Pai trabalhou nos departamentos de informática de grandes empresas durante a implantação dos primeiros sistemas digitais em terras tupiniquins; e o que eu tinha a ver com isso? Nada, entretanto, não por acaso, ele trazia quantidades obscenas de formulário contínuo usado nos testes e atividades em geral.

Detalhe, era uma folha de papel imensa para uma criança! E eu podia desenhar os meus helicópteros usando duas, três folhas se não as destacasse! Os maiores helicópteros militares como o CH-53E pareciam pequenos. Como é bom ser criança!

Como o meu Pai sempre desenhou e pintou, também não faltavam, lápis de cor e de cera uma vez ao ano e algumas canetas ultrafine e futuras.

Sim, eram outros tempos: material de desenho sofisticado era importado e caro, sem contar que éramos em cinco, três crianças em escola particular, etc., então, a gente se virava como dava.

E como se virava! Assim, quando eu era criança, desenhava compulsivamente dezenas de carros, aviões e carros de combate e animais predadores de todos os tipos, a maioria ficava muito mal acabado quando eu acabava. Era muito papel e essa abundância praticamente infinita me fascinava e incentivava a desenhar cada vez mais.

Porém, ele sempre me dizia: capricha no acabamento, colore, desenha um fundo para os seus carros e tal. Na época eu não ligava nem um pouco, mas conforme eu fui amadurecendo, comecei a entender melhor o que ele falava. Aprendei a desenhar em perspectiva, projeções com 2 e 3 pontos, etc.

Até que um belo dia, eu me dei conta que o meu Pai não estava mais trazendo papel para casa. Eu o interroguei a respeito! Os cortes de custos cortaram o meu barato! Passaram a usar o papel dos dois lados. Não tinha problema; tínhamos um 'estoque' considerável. Eu desenhei até o início da adolescência tranquilamente e eu ainda tenho algumas dessas folhas por aqui em algum lugar.

Logo depois eu comecei a trabalhar e comprei uma resma de duplo carta... Eu adoro desenhar em folhas de papel grande!

Nessa época, modelei o meu primeiro carro em 3D com faces enormes compondo a carroceria, em um 486 (bons tempos da informática lascada), não tinha fundo. Renderização feita direto no CAD. Hoje em dia, seria um carro 'stealth'.

No segundo, eu renderizei com uma imagem de fundo. Me senti orgulhoso! Pena que estes registros iniciais se perderam em um drive defeituoso.

O terceiro também não teve fundo, me contentei com um piso espelhado. Ual! Reflexão automática era um luxo com os poucos megabytes de ram disponíveis no bom e velho MSDOS.

Depois disso, todos, absolutamente todos os meus modelos foram desenhados com fundo, tirando um que foi ambientado em um lago seco devido ao prazo apertado. Assim, todos os meus trabalhos são homenagens ao Sr. Ivonésio, que lá de cima pode 'falar' qualquer coisa, menos que os meus carros estão sem fundo!

Curtiram a minha nova capa renderizada de 2014 pós-produzida ontem? Abraços!

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